Destino: Que exploração é essa?

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Continuamos con los workshops presentados  por diferentes grupos de investigación en el  I Congreso Internacional de la Red Iberoamericana de Narrativas Audiovisuales(Red INAV) y III Encuentro Iberoamericano de Narrativas Audiovisuales.

Por Lúcia Araújo (1)

Resumo: Que exploração é essa? é uma série de cinco episódios de seis minutos, unindo dramaturgia com bonecos, entrevistas e informações, tendo como tema o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. Na história, o caminhoneiro Milton sai para uma viagem, acompanhado pelo filho Diego. A cada episódio, os dois se deparam em situações diferentes, revelando as várias formas em que esse crime pode ser praticado.

Palavras chave: Exploração sexual, violência, infância, prevenção.

A série Que exploração é essa? une dramaturgia com bonecos, entrevistas e informações em cinco episódios de seis minutos para abordar de maneira inédita o dramático problema da exploração sexual de milhões de crianças e adolescentes no mundo todo. Uma realização do Canal Futura em parceria com a Childhood Brasil (WCF-Brasil), o projeto surge da decisão do canal de estreitar o diálogo com diferentes grupos sociais, e prestar uma efetiva contribuição à sociedade brasileira nesta temática.

Consolidando-se como um projeto social de comunicação, o Canal Futura identifica pautas prioritárias na agenda nacional através da participação em diferentes fóruns da sociedade civil organizada. Foi nesse contexto que o canal definiu, como um de seus desafios, a inserção das temáticas relativas ao enfrentamento do abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes na sua programação, além de promover ações presenciais para tratar do tema.

No intuito de dialogar diretamente com a sociedade civil e apontar caminhos para que o cidadão comum possa ajudar no combate a esse crime, o Futura optou por trabalhar a temática por meio de dois protagonistas comuns, que, a cada episódio, se deparam com situações diferentes de exploração.

Na história, o caminhoneiro Milton viaja na companhia do filho Diego, que aproveita as férias para conhecer o Brasil ao lado do pai. Em cada episódio, se deparam com situações de exploração com que têm que lidar, seja contra aqueles que exploram, seja no auxílio à vítima. No episódio um, por exemplo, Diego é abordado por Sheyllon, uma garota de sua idade. A jovem revela sua situação de abandono familiar e conta como se tornou vítima da rede de exploração sexual de crianças e adolescentes. Milton decide ligar para o Disque 100, serviço do governo responsável por receber este tipo de denúncia, com esperança de poder mudar a vida de Sheyllon.

Nos demais episódios, Milton e Diego seguem viagem e se deparam com situações diversas de exploração, como a de uma jovem menor de idade que está prestes a entrar em um quarto de hotel com um caminhoneiro (episódio dois); aliciadores que lhes oferecem os serviços sexuais de crianças em uma praia turística (episódio três); a modalidade virtual de exploração sexual de menores, a pornografia infantil (episódio quatro) e, ainda, descobrem que os meninos são também uma grande parcela daqueles que são vítimas de exploração sexual (episódio cinco).

Longa trajetória de pesquisa e parcerias

A realização da série é resultado de uma longa trajetória de pesquisa e parcerias realizadas pelo setor de mobilização comunitária do Canal. Durante três anos, a equipe do Futura acompanhou as agendas da sociedade civil sobre a temática, participando de fóruns, debates e eventos. Depois de levar a questão para muitas pautas do jornalismo, nosso desafio foi produzir um programa que tratasse da exploração sexual infanto-juvenil a partir de uma abordagem inovadora, capaz de transformar perspectivas, falas, textos e concepções.

Inicialmente o Canal Futura produziu e participou de fóruns temáticos com diferentes instituições ligadas às redes de proteção de crianças e adolescentes para identificação de formas atrativas de tratamento do tema. Foi neste contexto que surgiu a ideia de realizar a série com este formato. Pode-se dizer que o sucesso desta produção é fruto, portanto, da reunião da expertise do Canal Futura, que faz TV com qualidade, com aqueles que conhecem a dura realidade das violências sexuais contra crianças e adolescentes.

Para a preparação do programa, o processo de diálogo com as instituições parceiras foi fundamental. Leituras dramatizadas dos roteiros foram realizadas com jovens que foram vítimas de práticas de exploração sexual e educadores nas cidades de São Paulo e Pernambuco, assim como a análise da linguagem, dos bonecos, sua aparência e vestuário. A partir da experiência dos jovens, muitos detalhes, abordagens e personagens foram modificados.

O grande desafio proposto para a equipe foi a inserção de práticas não vitimizantes ao tratar o tema, a fim de suavizar o desconforto e o estresse psicológico que as vítimas sofrem ao falar sobre esta realidade. Assim, a proposta do projeto foi, além de revelar o problema, apontar caminhos para que pessoas comuns possam contribuir para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Ações complementares

Além do programa de TV, o projeto inclui a criação de um site e a distribuição de 1.300 DVDs com a série para organizações que militam na temática em todos estados brasileiros. Devido ao êxito de suas ações, o projeto Que exploração é essa? foi vencedor, na categoria Boas Práticas, do I Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos, concedido pelo Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual de Crianças e Adolescentes. Em sua primeira edição, o prêmio homenageou pessoas físicas e jurídicas que tenham se destacado no enfrentamento do abuso e da exploração sexual na infância e juventude. A entrega foi realizada em Brasília, em 18 de maio de 2011, como parte das comemorações pelo Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

O resultado de todo esse trabalho de pesquisa é uma iniciativa inédita na TV brasileira, que pretende contribuir no enfrentamento deste grave problema mundial, servindo de material de mobilização para educadores, jovens e famílias de todo o país.

Notas:

(1) Jornalista, já foi editora de diversos departamentos e programas de televisão em empresas de comunicação como Bandeirantes, Cultura e Rede Globo. Desde 1999, é gerente geral do Canal Futura. lucia@futura.org.brmarcia.andrade@futura.org.br

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DRUMMOND, Ana Maria (2009): Guia de Referência – Construindo uma cultura de prevenção à violência sexual. São Paulo, Childhood Brasil.

SANTOS, Benedito Rodrigues dos, e ARAÚJO, Rogério (org) (2007): O enfrentamento da exploração sexual infanto-juvenil: uma análise de situação. Goiânia, Cânone Editorial.

TRINDADE, Eliane (2005): As meninas da esquina: diários dos sonhos, dores e aventuras de seis adolescentes do Brasil. Rio de Janeiro, Record.